Investigación en Brasil

Nueva selección de clones de acerola

20/10/2003

Joao Rodrigues de Paiva, paiva@cnpat.embrapa.br,  y colaboradores, todos ellos  investigadores de Embrapa Agroindustria Tropical (Fortaleza, Brasil), han estudiado el comportamiento de una serie de clones de acerola, de los cuales han seleccionado cuatro por su productividad y contenido en vitamina C. El texto expandido, en portugués, explica los resultados obtenidos.



CLONES DE ACEROLEIRA
BRS 235 (Apodi), BRS 236 (Cereja), BRS 237 (Roxinha) e BRS 238 (Frutacor)

João Rodrigues de Paiva, paiva@cnpat.embrapa.br, Ricardo Elesbão Alves, Levi de Moura Barros; João Ribeiro Crisóstomo, Carlos Farley Herbster Moura e Adriano da Silva Almeida, Embrapa Agroindústria Tropical, CP 3761, 60.511-110, Fortaleza, CE, Brasil, Normândia Pereira Norões, Frutacor Ltda, Limoeiro do Norte, CE, Brasil

RESUMO
Com o objetivo de avaliar o desempenho de clones de aceroleira foi instalado um experimento com 45 clones em área de produtor. Com base na avaliação das características morfológicas da planta, produção e físico-química dos frutos foram selecionados os clones BRS 235 (Apodi), BRS 236 (Cereja), BRS 237 (Roxinha) e BRS 238 (Frutacor). O clone BRS 235 se destacou em produção e peso médio de fruto, o BRS 236 apresentou maior teor de vitamina C e a segunda maior produção média de frutos/colheita/planta. O BRS 237 fornece polpa de coloração vermelho-púrpura intensa, mais adequada às preferências do consumidor, e planta com conformação da copa menos exigente à poda, enquanto que o clone BRS 238 combina mais de uma característica.


O aumento da lucratividade dos pomares de acerola por meio da utilização de cultivares com maior produtividade e conteúdo de vitamina C, constitui-se, atualmente, no principal desafio do melhoramento genético. O melhoramento da espécie tem por objetivo gerar clones ou populações com maior uniformidade genética, que propiciem frutos que satisfaçam aos mais diferentes paladares de forma a conquistar os mercados das regiões mais desenvolvidas e economicamente mais prósperas do país (Paiva et al., 1999).
A seleção de clones é uma etapa do melhoramento de plantas de propagação vegetativa utilizada tanto após a introdução de germoplasma como da hibridação. O sucesso com essa metodologia depende da presença de indivíduos portadores de características favoráveis à seleção de clones que entrarão no processo de avaliação. Assim, o êxito do processo de seleção depende da variabilidade genética existente na população base (Gonzaga Neto et al., 1999; Lopes e Paiva, 2002; Pípolo et al., 1998; Paiva et al., 2002), razão pela qual a seleção feita numa população formada por um único clone, prática comum entre os produtores, não surte efeito uma vez que toda variação existente é de origem ambiental. Esta metodologia é a maneira mais eficiente para suprir a demanda imediata de genótipos superiores. Como o resultado pode ser obtido a curto prazo, tem sido a principal metodologia adotada nos programas de melhoramento de aceroleira, pois o genótipo selecionado pode ser transmitido integralmente através das gerações.
O presente trabalho teve por objetivo avaliar o desempenho de 45 clones de aceroleira, sob cultivo em área de produtor, e selecionar aqueles que se destacarem, em relação ao desenvolvimento vegetativo das plantas, a produção e a qualidade dos frutos.

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi instalado em agosto de 1999 na Fazenda Frutacor Ltda, no município de Limoeiro do Norte, CE, no delineamento de blocos ao acaso, com 45 tratamentos, três repetições e cinco plantas por parcelas, totalizando 15 plantas por clone, no espaçamento de 5 m entre linhas e 4 m entre plantas. O solo é Cambissolo, textura média, formação calcária, pH 7,5 - 8,0. A parcela foi linear, com bordadura de contorno. Os tratamentos foram formados por clones de acerola, originados da introdução de outras regiões ou obtidos por seleção de plantas no Programa de Melhoramento Genético da Embrapa Agroindústria Tropical.
Os tratos culturais foram aplicados de acordo com a recomendação para o plantio comercial da acerola na região. A adubação de fundação constou de 5 litros de esterco de gado, 250 g de super fosfato simples, 50 g de uréia e 30g de cloreto de potássio. O suprimento de água foi feito por irrigação localizada, com micro aspersores alto-compensante com vazão de 35 litros de água/hora/planta, sendo irrigadas em média três horas por dia. A fertirrigação foi feita nos dois primeiros anos aplicando-se mensalmente 30 g de uréia e 17 g de cloreto de potássio por planta.
Anualmente, foram medidos altura de planta (AP) e o diâmetro da copa (DC). A produção de frutos foi avaliada durante três anos. No período de maio a agosto de 2001 foram colhidas amostras de frutos maduros para análise físico-química dos clones. Foram avaliados o teor de vitamina C, sólidos solúveis totais (SST) e o peso médio do fruto (PMF) no laboratório de pós-colheita da Embrapa Agroindústria Tropical.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Com base no desempenho das características morfológicas da planta, produção e físico-química dos frutos foram selecionados e recomendados para o plantio comercial os clones: BRS 235 ou Apodi, BRS 236 ou Cereja, BRS 237 ou Roxinha e BRS 238 ou Frutacor, confirmando-se o potencial desses clones relatados por Paiva et al. (2002).
As principais características desses clones são de portes baixos, médias de altura da planta e diâmetro da copa de 1,91 m e 4,05 m, 2,19 m e 4,14 m, 1,61 m e 3,57 m, 1,81 m e 3,65 m, 1,78 m e 3,84 m, respectivamente para os clones BRS 235, BRS 236, BRS 237, BRS 238 e Sertaneja BRS (clone testemunha), no terceiro ano de idade das plantas em cultivo irrigado. Os indicadores agroindustriais para os frutos dos clones são apresentados na Tabela 1. Observa-se que o clone BRS 235 se destacou em produção e peso médio de fruto, o BRS 236 apresentou maior teor de vitamina C e segunda maior produção média de frutos/colheita/planta. O BRS 237 fornece polpa de coloração vermelho-púrpura forte, mais adequada às preferências do consumidor, e planta com conformação da copa menos exigente à poda, enquanto que o clone BRS 238 combina mais de uma característica.

Tabela 1. Indicadores agroindustriais para os frutos de clones de aceroleira.

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Para caracterizar melhor o desempenho de todos os clones avaliados em relação ao conteúdo de vitamina C foi feita uma classificação em cinco grupos: a) conteúdo de vitamina C abaixo de 0,7 %; b) conteúdo de vitamina C de 0,7 % a 1 %; c) conteúdo de vitamina C de 1 % - 1,3 %; d) conteúdo de vitamina C de 1,3 % a 1,6 %; e e) conteúdo de vitamina C acima de 1,6 % (Figura 1). A maioria dos clones, cerca de 67%, foi enquadrado nos grupos "c" e "d". O grupo "e", com maior conteúdo de vitamina C, contemplou 11% dos clones.


Fig. 1. Percentagem de clones de aceroleira em função do conteúdo de vitamina dos frutos avaliados no município de Limoeiro do Norte, CE no período de maio a agosto de 2001.

Como é indicado na fruticultura moderna, deve-se buscar a maior produtividade possível dentro de cada exploração comercial, visando à minimização dos custos e à maximização da competitividade. Entretanto, é preciso que a produção seja compensadora e a qualidade dos frutos uniforme. Esses padrões serão alcançados com o uso de clones, pois com o plantio desse material resultará em pomares com menor variação na produtividade e na qualidade do fruto (acidez, açúcares e teor de vitamina C), facilitando a padronização, diferentemente do que acontece com material atualmente em uso que é originado de sementes.
O controle da produção de frutos no experimento foi feito por três anos consecutivos, a partir do segundo ano de idade das plantas. A evolução mensal da produção das plantas dos clones feita em área de produtor, tomando-se como referência o ano de 2002, são apresentados na Figura 2. Observa-se que os clones selecionados apresentaram regularidade de aumento na produção, nos cinco "picos" identificados nos meses de janeiro, abril, junho, agosto e outubro. É possível que a regularidade climática na região tenha contribuído, considerando que a pluviosidade medida pelo Instituto Centro de Ensino Tecnológico (CENTEC) nesse período foi de 258,20; 275,20; 16,80; 7,20 e 9,40 mm, respectivamente para os meses de janeiro, abril, junho, agosto e outubro.


Fig. 2. Produção mensal de frutos de 15 plantas de clones de aceroleira em Limoeiro do Norte, CE, no ano de 2002.

Os clones foram avaliados em cultivo irrigado na região da Chapada do Apodi, no município de Limoeiro do Norte, Estado do Ceará. Portanto, os clones são recomendados para o plantio comercial nessa região. Entretanto, é esperado que os mesmos tenham boa adaptação em regiões similares. Na formação de um hectare de pomar de aceroleira, recomenda-se plantar os quatro clones BRS 235 (Apodi), BRS 236 (Cereja), BRS 237 (Roxinha) e BRS 238 (Frutacor), dividindo a área em quatro blocos com 2.500 m2 ou 0,25 ha para cada clone. Com este procedimento evita-se a uniformidade genética no pomar, tornando-o menos vulnerável à pragas e doenças.

BIBLIOGRAFIA

GONZAGA NETO, L.; MATIUZ, B.; SANTOS, C. A. E. 1999.Caracterização agronômica de clones de aceroleira (Malpighia spp) na região do submédio São Francisco. Rev. Bras. Frutic., 21 (2):110-115.

LOPES, R.; PAIVA, J.R. 2002. Aceroleira. In. BRUCKNER, C.H. (ed.) MELHORAMENTO DE FRUTEIRAS TROPICAIS. Viçosa: UFV, p.63-99.

PAIVA, J.R., ALVES, R.E., CORREA, M.P.F., FREIRE, F.C.O., SOBRINHO, R.B. Seleção massal de acerola em plantio comercial. Pesquisa Agropecuária Brasileira. v.34, n.3, p.505-511. 1999.

PAIVA, J.R. de; ALVES, R. E.; SANTOS, F.J.S. de; BARROS, L. de M.; ALMEIDA, A. S.; MOURA, C.F.H.; CACAU, J.B.; NORÕES, N.P. 2002. Desempenho de clones de acerola no estado do Ceará. Anais... 17o CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA. Belém.

PÍPOLO, V.C.; PRETE, C.E.C.; GONZALEZ, M.G.N.; POPPER, I.O.; BRUEL, D.C.; DIAS, A.M. 1998. Novos cultivares de acerola: UEL-3 Dominga, UEL-4 Ligia, UEL-5 Natália. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA, 15., Poços de Caldas, MG. Anais... Lavras: UFLA, p.52.
 

BRS 236 - Cereja

BRS 235 - Apodi

BRS 237 - Roxinha

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