Lisbon Food Affair consolida-se como “um evento essencial para o setor alimentar”
Este ano, o crescimento da Lisbon Food Affair foi visível não só no aumento do número de empresas expositoras, que cresceu 66%, como no incremento de 16% no volume de visitantes profissionais face à edição anterior, entre os quais decisores de grupos empresariais de referência, que encontraram no evento um ambiente privilegiado para explorar tendências, testar novos produtos e consolidar alianças estratégicas.
Esta foi a avaliação que a organização fez da edição deste ano e que se apoiou nos números para afirmar que a LFA se consolidou como “um evento essencial para o setor alimentar”. Sobre isso, Cristina Rodrigues, executive manager da Gresilva, referiu que a LFA “revelou-se uma agradável surpresa, sobretudo pela qualidade dos visitantes, permitindo-nos focar apenas em oportunidades de negócio realmente relevantes. Tem sido uma experiência excelente”. Opinião partilhada por Fe Martínez Sáiz, da OrencioHoyo, uma das empresas integradas na participação da Extremadura Avante, Espanha, que referiu que a empresa estabeleceu “numerosos contactos de negócio efetivos” e que a participação foi “altamente produtiva”.
Segundo Marina Calheiros, gestora do evento, “a Lisbon Food Affair cumpriu plenamente o seu objetivo, registando um crescimento notável. Este sucesso deve-se, em grande parte, ao envolvimento dos nossos parceiros e expositores, que tornaram o evento um ponto de encontro de alto valor para toda a fileira alimentar”.
O programa Hosted Buyers foi outro dos destaques, registando mais de 300 reuniões B2B, onde foram criadas múltiplas oportunidades de negócio que vão impulsionar a internacionalização das empresas participantes.
Fortalecer conexões com parceiros estratégicos
Carlos Santos, da We:digitek, faz um balanço “extremamente positivo” da participação no evento, que “proporcionou uma excelente oportunidade para fortalecer conexões com parceiros estratégicos, captar novas oportunidades de negócio e demonstrar o impacto da tecnologia no setor alimentar. O envolvimento do público e o interesse pelos nossos produtos superaram as expectativas”, confessou à iAlimentar.
A We:digitek aproveitou a ocasião para destacar as mais recentes soluções tecnológicas, “incluindo novas funcionalidades de inteligência artificial para gestão de supply chain e automação de processos de produção. Também apresentamos melhorias nas nossas plataformas de monitorização de qualidade e rastreabilidade alimentar”. Como sugestão de melhoria, Carlos Santos destaca a importância de existir “um maior espaço para demonstrações práticas, pois acreditamos que experiências interativas trazem ainda mais valor ao público”.
Ao longo de 2025, a We:digitek prevê lançar novas soluções de automação inteligente e ferramentas de análise preditiva para o setor alimentar. Além disso, “continuaremos a investir em parcerias estratégicas e na expansão internacional. O principal objetivo para este ano é consolidar a nossa posição como líder em inovação tecnológica para a indústria alimentar, oferecendo soluções cada vez mais eficientes e sustentáveis”.
João Diniz, product specialist da Brother, faz igualmente um balanço positivo da participação no evento. “Os clientes parecem estar mais conscientes para a necessidade de identificação de alimentos de uma forma clara e sem erros, e as soluções de etiquetagem da Brother são uma forma de o fazer sem grandes custos”, nota.
Um processo win-win
“O setor alimentar e canal Horeca são apostas fortes para a Brother e, como tal, disponibilizamos diversos equipamentos dedicados e com funcionalidades especificas para a impressão de etiquetas HACCP e de identificação alimentar. Estando presentes nesta feira, temos a oportunidade de apresentar toda a nossa gama de soluções para estes setores, incluindo as últimas novidades”, destaca João Diniz.
“O contacto direto com o cliente final permite-nos entender as suas necessidades e adaptar as nossas soluções às mesmas. Por vezes é o cliente que nos pede ajuda em como melhorar os seus processos de identificação alimentar. Tudo isto é uma mais-valia para a Brother, pois torna-se um processo win-win”.
Entre as novidades apresentadas durante o evento, João Diniz destaca “as impressoras de etiquetas Térmicas Diretas de 2” – TD2D, uma gama que sofreu um refresh em termos de design e funcionalidades. Incorporámos nesta família modelos com painel tátil a cores e teclado (até agora disponíveis apenas nos nossos equipamentos de impressão A4), o que facilita a utilização dos equipamentos de forma autónoma”.
Destaque ainda para os equipamentos Linerless nas famílias de impressoras de etiquetas Térmicas Diretas de 2 e 4” (TD2D e TD4D). “Estas impressoras utilizam rolo contínuo de etiquetas térmicas que não têm papel de suporte (liner). São equipamentos com uma tecnologia mais ecológica, que evita o desperdício de papel e aumenta a produtividade do negócio, uma vez que cada rolo linerless tem aproximadamente mais 40% de etiqueta que um rolo de etiquetas normal (com liner)”.
Ao longo de 2025, a Brother pretende reforçar a gama de impressoras de etiquetas industriais de Transferência Térmica (TJ) de 4” com modelos RFID - “a impressão de etiquetas RFID permite, entre várias opções, um rastreamento de bens e controlo de stock em tempo real”. Ainda dentro das impressoras industriais de etiquetas de Transferência Térmica (TJ), a marca vai lançar modelos de 6”, “estas mais dedicadas ao setor logístico (onde se integra a logística alimentar e HORECA), e que vão permitir aos clientes a impressão de etiquetas de paletes de formato A5”.
Mercado português e estrangeiro
A Xnext XSpectra foi desenvolvida para elevar os padrões de controlo e inspeção na indústria alimentar. Combinando eficiência, segurança e sustentabilidade, esta solução de inspeção espectral permite a deteção de contaminantes com uma “precisão sem precedentes”, garantindo a máxima qualidade e proteção dos produtos. “Temos muito boas expectativas não só para o mercado português, como para o estrangeiro”, confessou Élio Constantino. “É uma inovação tecnológica que nos colocou à frente dos nossos concorrentes” e que conquistou uma Menção Honrosa na Categoria Tecnology nos prémios LFA Innovation (ver caixa).
A Hanna Instruments também aproveitou o evento para dar a conhecer algumas novidades, como o novo multiparâmetros HI98594, lançado no início do ano, “permite fazer a leitura de 14 parâmetros e onde a grande novidade é a conexão com a cloud e leitura de turvação na sonda”, explicou Hugo Cunha, técnico comercial da marca.
“Temos estamos a lançar a nova série de medidores de multiparâmetros de equipamentos para PH continuidade de oxigénio dissolvido de bancada, da série 6000, um equipamento modular que pode ser adquirido com um dos parâmetros e, depois, serem acrescentados outros módulos conforme a necessidade. Inclui um novo sistema de interface”.
A Hanna Instruments aproveitou a Lisbon Food Affair para dar a conhecer ao mercado da área alimentar alguns dos seus novos produtos, mas também para fazer novos contactos. “Alguns produtos fazem sentido não só para os utilizadores, como para toda a cadeia de produção, desde a indústria à distribuição”.
Novidades para 2025
José Luís Pereira, food hygiene sales manager da Christeyns, também classifica a participação na Lisbon Food Affair como “extremamente positiva. Estabelecemos contactos valiosos que têm o potencial de se traduzir em grandes oportunidades de negócios. A nossa presença no evento teve também o objetivo de reforçar a nossa identidade e de dar a conhecer o nosso foco de atuação na indústria alimentar”.
Quem visitou o stand da marca teve oportunidade de conhecer a tecnologia Loopix, “uma solução para a deteção de agentes patogénicos em superfícies no ambiente de processamento alimentar. Permite que as empresas mantenham padrões rigorosos de segurança alimentar e ajuda a evitar as consequências dispendiosas de recolha de produtos. Garantimos a qualidade e a confiança ao longo de todo o processo”.
Mas esta não é a única novidade da Christeyns para 2025. “Estamos focados em continuar a investir na nossa inovação Loopix para atender às necessidades dos clientes. A nossa missão é garantir que continuemos a oferecer um serviço de excelência, enquanto avançamos na implementação de soluções inovadoras que impulsionem a transformação do setor”.
Paulo Gaspar aproveitou para recordar o nascimento da BrainR, numa altura em que liderava o departamento de IT da Lusiaves. “Estava a perseguir a jornada de transformação digital do Grupo e fomos implementando um conjunto de soluções, digitalizando muitas partes do negócio e quando chegamos às fábricas, fui ao mercado procurar as melhores soluções, mas eram muito antigas, difíceis de usar”. Isto em 2019. “Queria muito melhor para as minhas pessoas”, confessou. A solução que encontrou foi colocar mais à obra. “Juntei uma equipa dentro da equipa de IT da Lusiaves e começámos a construir o produto. Há um ano tivemos o spinoff e criámos uma empresa independente”.
Uma das unidades de negócio é a distribuição e é através dela que foi criada uma empresa “que está a desenvolver marcas e a tentar recuperar receitas para preservar algum do receituário que é típico dos Açores”.
Na Lisbon Food Affair, o objetivo passou por “mostrar tudo o que nos temos, a forma como inovamos algumas receitas, com uma roupagem diferente, ou incutindo valor acrescentado pela embalagem e rotulagem. Aqui é o sítio certo para mostrarmos o que produzimos e dar a conhecer a nossa empresa, que tem esses produtos disponíveis para todos os canais”.
E se até agora o conceito tem sido sustentado na venda de produtos com matéria prima dos Açores, a MPD caminha para uma nova fase. “Estamos a criar uma nova equipa para trabalhar os produtos e desenvolver novidades. Algo novo, mas sempre com raiz nos Açores”.
E se era impossível deixar de reparar no stand da comitiva dos Açores, já a Frigicoll resolveu apostar forte em dois showcooking, logo à entrada do recinto, para dar a conhecer os seus produtos estrela, com destaque para o Oracle, da Lainox. “É um forno de aceleração que tem despertado o interesse dos visitantes e que ficam impressionados com a sua velocidade e tecnologia”, revelou Tiago César, responsável pela área de vendas na área de hotelaria da Frigicol. “Permite tostar por fora e manter o interior frio, como numa tosta de salmão com rúcula. O exterior fica tostado e o interior permanece intacto. Desde o ano passado que o mercado português acordou para este produto”, nota.
Com o foco na captação de contactos, Tiago César revela que a estratégia de criar o “kitchen triatlo, em que mostramos três equipamentos multifuncionais”, deu resultado, já que “conseguimos mostrar tudo o que se faz dentro de uma cozinha profissional”.
Estes são os vencedores do LFA Innovation 2025
A LFA – Lisbon Food Affair assume-se como um palco de inovação e lançamento de novos produtos, sendo o LFA Innovation um espaço dedicado à apresentação de produtos, serviços, equipamentos e soluções disruptivas lançados no mercado nacional. Com mais de 50 candidaturas, reflete o crescente compromisso do sector com soluções inovadoras. Coube ao júri, constituído pela FIPA – Federação das Indústrias Portuguesas Agro-Alimentares, AHRESP – Associação da Hotelaria, APED – Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição, Inovcluster, Instituto Superior de Agronomia, Startup Lisboa, Sociedade Ponto Verde e às revistas técnicas do sector iAlimentar e Grande Consumo, analisar e eleger os vencedores e as menções honrosas em várias áreas.
Categoria Food&Beverage
1º lugar: Bananika Chips, da Loop Persuit
Menção Honrosa: Lingote de Bacalhau Lugrade, da Lugrade – Bacalhau de Coimbra
Menção Honrosa: Filetes de Atum, Um bilhete Postal em Aguarela, da Sociedade Conserveira Açoriana
Categoria Technology
1º lugar: O primeiro software de gestão de fábrica alimentar nativo na “cloud”, da BrainR
Menção Honrosa: XNEXT Xspectra, da ALBIPACK – Packaging Systems Solutions
Menção Honrosa: Gestão Inteligente de Consumo de Ingredientes, da ADECI
Categoria Horeca
1º lugar: Mindful Eating Placemat, da Curious Coton
Menção Honrosa: Loiça Profissional, da Churchill

